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Etiquetagem da composição têxtil: o que é obrigatório e o que não é

Se vendes roupa da tua marca, a etiqueta de composição não é um pormenor: é obrigatória em toda a União Europeia e, ao vender pela internet, tem de estar também na ficha. Isto é o que a norma exige, explicado para uma marca pequena.

Última atualização: 9 de outubro de 2026

Em resumo

O que tem de dizer a etiqueta de composição

A norma é o Regulamento (UE) n.º 1007/2011, que se aplica diretamente em toda a União. Abrange qualquer produto com pelo menos 80 % de fibras têxteis em peso: roupa, lenços, sacos de tecido, têxteis-lar. Exige quatro coisas:

Se vendes em vários países — na Werop, uma loja de qualquer um dos seus oito países vende a compradores de dez —, a etiqueta tem de estar na língua de cada país onde a peça é vendida. O habitual nas marcas pequenas é uma etiqueta com a composição em várias línguas. Se tiveres dúvidas sobre um país concreto, consulta a sua autoridade de consumo.

Os nomes das fibras nas línguas da Werop

As denominações são as do anexo I do Regulamento, que tem uma versão oficial em cada língua da UE. Esta tabela reúne as fibras mais habituais na moda nas línguas dos países onde a Werop vai abrir (o inglês, pela Irlanda). Na Bélgica a etiqueta vai na língua da região: francês, neerlandês ou, na zona germanófona, alemão; na Áustria, em alemão.

EspanholInglêsFrancêsAlemãoItalianoNeerlandêsPortuguês
AlgodóncottoncotonBaumwollecotonekatoenalgodão
Linoflax (linen)linLeinen (Flachs)linovlaslinho
LanawoollaineWollelanawollã
SedasilksoieSeidesetazijdeseda
CachemircashmerecachemireKaschmircashmerekasjmiercaxemira
AlpacaalpacaalpagaAlpakaalpacaalpacaalpaca
ViscosaviscoseviscoseViskoseviscosaviscoseviscose
ModalmodalmodalModalmodalmodalmodal
LyocelllyocelllyocellLyocelllyocelllyocelllyocell
PoliésterpolyesterpolyesterPolyesterpoliesterepolyesterpoliéster
Poliamidapolyamide ou nylonpolyamide ou nylonPolyamid ou Nylonpoliammide ou nylonpolyamide ou nylonpoliamida ou nylon
AcrílicoacrylicacryliquePolyacrylacrilicaacrylacrílico
ElastanoelastaneélasthanneElasthanelastanelastaanelastano
Otras fibrasother fibresautres fibressonstige Fasernaltre fibreandere vezelsoutras fibras
ForroliningdoublureFutterfoderavoeringforro

«Forro» não é uma fibra, mas aparece em quase todas as etiquetas de peças com várias partes. A frase obrigatória para as partes de origem animal, em cada língua:

Antes de mandar imprimir uma etiqueta noutra língua, confronta cada palavra com o anexo I nessa língua (no EUR-Lex podes mudar a língua do Regulamento no canto superior direito). Um tradutor automático costuma dar o nome corrente («nylon», «spandex», «linen»), que nem sempre é o oficial.

«100 %», «puro» e as pequenas quantidades

Peças com várias partes

Se a peça tem componentes com composições diferentes — um casaco com o seu forro, um vestido com corpo e saia de tecidos diferentes — indica-se a composição de cada parte: «Exterior: 80 % lã, 20 % poliamida. Forro: 100 % viscose». Não é necessário para componentes que não sejam o forro principal e pesem menos de 30 % do total.

Pele, penas, botões de madrepérola

Se uma peça têxtil tem partes não têxteis de origem animal (gola de pele, enchimento de penas, aplicações de couro, botões de madrepérola ou de chifre), a etiqueta deve incluir a frase literal «Contém partes não têxteis de origem animal».

Exemplos: etiquetas bem e mal feitas

Seis etiquetas como as que vemos todos os dias em marcas pequenas, com o que falha em cada uma.

Bem
97 % algodão 3 % elastano

Correta: nomes oficiais, percentagens que somam 100 e por ordem decrescente.

Mal
100 % algodão

Se a peça tem 3 % de elastano para esticar, «100 %» é falso. Declaram-se as duas fibras.

Mal
80 % cotton 20 % Lycra®

Duas falhas: «cotton» não vale numa peça vendida em Portugal (vai em português) e a marca comercial não substitui o nome oficial. Correto: «80 % algodão, 20 % elastano (Lycra®)».

Mal
70 % bambu 30 % CO

«Bambu» não é um nome de fibra (declara-se como viscose, lyocell ou modal) e «CO» é uma abreviatura que o consumidor não tem de entender.

Mal
60 % lã 40 % poliéster

Se o casaco tem forro e não se diz de que é, falta informação. Correto: «Exterior: 60 % lã, 40 % poliéster. Forro: 100 % viscose».

Bem
ES 100 % lino FR 100 % lin DE 100 % Leinen IT 100 % lino PT 100 % linho

Correta para vender em vários países: a composição em cada língua, com o seu nome oficial. Aqui «100 %» vale: há uma só fibra.

Como tem de ser a etiqueta

Duradoura, legível, visível e bem presa à peça: cosida ou impressa no interior. Uma etiqueta de cartão pendurada não basta por si só, porque se tira antes da primeira utilização. Não há um tamanho nem um formato obrigatórios.

Se vendes pela internet: a composição vai também na ficha

O Regulamento exige que a composição esteja disponível para o comprador antes da compra, também quando esta é feita por meios eletrónicos. Ou seja: não basta que a etiqueta esteja na peça que vai chegar a casa; a ficha do produto tem de dizer «72 % algodão, 28 % linho» com todas as letras.

Na Werop não é possível publicar roupa sem preencher o campo da composição, nem calçado sem o dos materiais: o painel pede-to ao publicar e o comprador vê-o no fundo da ficha, junto aos dados do fabricante.

O calçado segue outra norma

O calçado não se etiqueta por fibras, mas por materiais, segundo a Diretiva 94/11/CE, que cada país transpôs com a sua própria norma (em Espanha, o Real Decreto 1718/1995). É preciso indicar, com os pictogramas oficiais ou com texto, de que é feita cada uma das suas três partes — gáspea, forro e palmilha, e sola — escolhendo entre couro, couro revestido, têxtil ou outros materiais. Declara-se o material que representa pelo menos 80 % de cada parte. A etiqueta vai em pelo menos um dos dois sapatos. Os pictogramas são os mesmos em toda a UE; se usares texto, tem de ir na língua exigida pelo país onde vendes.

Quem responde: os dados do fabricante

Desde 13 de dezembro de 2024 aplica-se o Regulamento (UE) 2023/988 relativo à segurança geral dos produtos. Todos os produtos de consumo devem indicar o nome ou marca do fabricante e o seu endereço postal e eletrónico, além de uma referência que permita identificar o produto (modelo, lote ou número de série). Se vendes online, esses dados têm de aparecer também na oferta. Se fabricas a tua própria marca, o fabricante és tu.

O que não é obrigatório (embora quase todos o ponham)

Os erros mais frequentes

Lista de verificação antes de publicar

Perguntas frequentes

Em que língua tem de estar a etiqueta de composição?

Na língua oficial do país onde a peça é vendida: o Regulamento 1007/2011 deixa que cada Estado-Membro o defina. Em Espanha, em castelhano; em França, em francês; na Alemanha e na Áustria, em alemão; em Itália, em italiano; nos Países Baixos, em neerlandês; em Portugal, em português; e na Bélgica, na língua ou línguas da região onde é vendida. Se vendes em vários países, o mais prático é uma etiqueta em várias línguas.

É obrigatório indicar a composição de uma peça se a vender pela internet?

Sim. O Regulamento (UE) 1007/2011 obriga a que a composição em fibras esteja na etiqueta da peça e, além disso, a que o comprador a possa ver antes de comprar quando a venda é à distância. Na prática: a composição tem de estar na ficha do produto, não apenas cosida na peça.

Posso pôr «100 % algodão» se tiver um pouco de elastano?

Não. «100 %», «puro» ou «todo» só podem ser usados quando a peça é de uma única fibra. Com 3 % de elastano é preciso declarar as duas: «97 % algodão, 3 % elastano».

Os símbolos de lavagem são obrigatórios?

A legislação europeia de etiquetagem têxtil não os exige; são voluntários. Ainda assim, quase todas as marcas os põem porque evitam reclamações por peças estragadas na lavagem.

É preciso indicar «Fabricado em Portugal» ou o país de fabrico?

Na União Europeia, o país de origem não é obrigatório na etiquetagem têxtil. Se o indicares, tem de ser verdade.

Posso pôr «bambu» na etiqueta de composição?

Não como nome de fibra. A fibra obtida do bambu é celulose regenerada e declara-se com o seu nome oficial: «viscose» (ou «lyocell» ou «modal», consoante o processo). «Bambu» não figura entre as denominações do anexo I do Regulamento 1007/2011; quando muito, pode ser mencionado à parte como origem da celulose, nunca em vez do nome oficial.

Como se diz «forro» ou «exterior» na etiqueta noutras línguas?

«Forro» é lining em inglês, doublure em francês, Futter em alemão, fodera em italiano, voering em neerlandês e forro em espanhol. Para a parte exterior (shell em inglês) a norma não fixa uma palavra: o habitual é «exterior» ou «tecido principal», extérieur, Oberstoff, esterno, buitenstof e exterior (ou tejido principal) em espanhol.

O que acontece se a etiqueta de composição estiver errada?

Cada país fixa as suas sanções e aplica-as através da sua autoridade de consumo; em Espanha, as comunidades autónomas, no âmbito do regime sancionatório da Lei Geral para a Defesa dos Consumidores e Utentes. Além da coima, podem exigir que a mercadoria seja retirada ou reetiquetada, e uma composição falsa é motivo de devolução para o comprador.

E as peças feitas por medida?

Os produtos têxteis confecionados por medida por alfaiates ou costureiras que trabalham por conta própria estão fora do Regulamento 1007/2011. Uma coleção que produzes em série, mesmo que em tiragens pequenas, não é «por medida» e tem de ser etiquetada.

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Um painel que não te deixa esquecer

Na Werop, a composição e os dados do fabricante fazem parte da ficha: publicas com tudo em ordem desde o primeiro dia.

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